Douglas Peres Rubio - Redator dprtextos


Sobre camelos e escorpiões

Vez por outra me lembro de uma velha fábula. É algo assim.

Estava um camelo prestes a atravessar um lago quando um escorpião pediu-lhe carona em suas costas para atravessar também.

Disse o camelo: "Não creio que deva dar-te carona, você é um escorpião e pode me picar".

"Pense bem, camelo, se eu te picar você morre e eu morro também, pois estarei agarrado às suas costas!", retrucou o escorpião.

"Ok, disse o camelo, suba em minhas costas e vamos atravessar juntos este lago". E o escorpião então subiu às costas do camelo, agarrando-se bem. Quando estavam no meio do lago, o camelo sentiu uma forte ferroada nas costas e, quando já começava a ficar estonteado pelo veneno, gritou para o escorpião: "Você é louco? Veja só o que fez. Agora vamos ambos morrer!"

"Não pude evitar, sentenciou o escorpião. É de minha índole, todos os escorpiões ferroam. Nada pessoal."

E ambos aos poucos afundaram e se afogaram no lago.

Minha moral da história? Não tenha, nem por um segundo, peninha de um escorpião!



Escrito por Douglas - dprtextos às 10h31
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Blindagem à prova d'água - mais do mesmo

Por conta do aguaceiro de ontem, lembrei-me de um texto que escrevi neste blog há um ano. E que continua atual. Infelizmente. Aí vai ele

 

Blindagem à prova d'água

17/12/2010

O mês de dezembro anualmente traz chuvaradas todas as tardes. Este ano não será diferente: as chuvas de verão estão desabando sobre todo o sudeste do país. E, como todo ano, as enchentes trazem a desgraça para muitas pessoas. É curioso, entretanto, observar os noticiários na TV, na rádio e na mídia impressa a cada calamidade pluvial. Anos atrás, quando Marta Suplicy era prefeira da cidade de São Paulo, bastava cair uma chuvinha à toa e lá ia uma verdadeira enxurrada de repórteres e fotógrafos bater às suas portas e cobrar-lhe providências contra as enchentes. Há alguns anos não mais se nota qualquer comentário da mídia relacionando chuvas a prefeitos de São Paulo. Neste mês que mal começou e que as enchentes já arrasaram as casas de muita gente e que bairros da cidade permanecem alagados mesmo depois de dias sem chover por conta do descaso na limpeza das vias públicas a mídia tem se manifestado sim. Inclusive no horário nobre noturno. Que eu tenha notado até agora, sem qualquer menção aos representantes municipais. Por que será?



Escrito por Douglas - dprtextos às 10h42
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Os guardiões da moral e dos bons costumes.

 

 

Conheço gente da elite. Gente bem rica. Gente culta e educada, na maioria gente bondosa.

Por outro lado, diversas vezes na minha vida me deparo com gente curta de raciocínio, mas com cartão de crédito suficiente para se declarar classe média, cidadãos diferenciados.

Esse tipo de gente, para quem pensar parece que dói, não se enxerga e se acha dona da verdade. E por se achar dona da verdade se vê no direito de zelar pela boa moral e pelos bons costumes.

Não conhecem nem uma coisa, nem outra.

São desprovidos de força moral suficiente para sustentar uma conversa séria com um pobre que more na periferia. E muito menos sabem o que são bons costumes, uma vez que apontam o tempo todo os defeitos alheios, mas são incapazes de enxergar os próprios; desconhecem os bons costumes ao se julgarem melhores que outros e ao verbalizarem isso na forma de um nouveau richisme patético tentando ser esnobes; desconhecem bons costumes quando fazem piadas de absoluto mau gosto envolvendo mendigos, judeus, palestinos, nordestinos, negros, latinos, portugueses e outras pessoas que eles consideram “diferentes”, minorias em sua visão míope de mundo... desconhecem os bons costumes ao ignorarem que este país é latino, é repleto de mendigos e miseráveis, repleto de nordestinos que até movem a construção civil – mas que também compõem intelectualidade acadêmica valiosíssima... ofendem, com sua ignorância e maldade baratas a memória de gerações e gerações de imigrantes, que aqui chegaram e chegam e que são sim minoria. Miseráveis lutadores que conseguem vencer na vida, apesar dos preconceitos de gente como eles. Imigrantes muitas vezes como foram seus avós e bisavós.

Tirem-se-lhes o salário e o cartão de crédito e então eles se tornam sombras amargas à margem dos shopping centers onde antes faziam suas compras.

A maldade gratuita – e por que não dizer burra – de algumas pessoas ofende. Magoa. E devia doer!



Escrito por Douglas - dprtextos às 11h01
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Responsáveis pela campanha de Serra homenageiam a Atlântida

Esta semana tive a oportunidade de ouvir pelo rádio a propaganda política e fiquei pasmado com o que ouvi no horário da campanha de José Serra.

Tinha por José Serra um respeito silencioso, quase à altura do respeito que ainda tenho pelo falecido Mário Covas. Serra ganhou minha admiração ao peitar grandes monopólios e quebrar algumas patentes de remédios para ajudar a população brasileira.

E creio que não dependa dele o que fazem com sua campanha política.

A propaganda de seu horário praticamente chama o povo de burro. Explico.

Fora o eufemismo de se referir aos pobres como "os menos favorecidos" (eu, particularmente, tenho certeza de que há gente com tanto horror a pobre que não consegue proferir o substantivo), a locução do programa seria hilariante, não fosse patética.

Ouvi uma voz com sotaque nordestino tão forçado, que me lembrou a saudosa Dercy Gonçalves interpretando certa personagem " nortista " numa chanchada bem antiga da Atlântida. Naquele tempo em que eu era pequeno e a Atlântida era grande, norte e nordeste eram, daqui do sudeste, lugares muito muito longínquos: levava-se dias para chegar de trem a Pernambuco, me lembro bem. Assim como fazer uma chamada interurbana para lá demorava uma eternidade e a ligação era horrorosa. Acho que por isso é que havia essa "interpretação caricata" do "nortista" no cinema - não havia facilidade telefônica muito menos internet ou estúdios para fazer dublagem fora do eixo Rio-São Paulo.

Presumem talvez os responsáveis pela campanha de Serra, que essa locução "fale"  à maioria do povo brasileiro. Atinja o target que, para eles talvez seja das classes C e D, sei lá. E de quem eles querem votos.

Mas o mais divertido vem agora. A seguir, entrou uma voz de homem imitando Lula. É isso mesmo. O locutor falava bem do candidato Serra, imitando a voz do presidente Lula. Será que o povo lá de cima que apóia Lula... esse povo que eles desconhecem poderia pensar que o seu presidente estivesse recomendando votar em Serra? No mínimo seria má fé, caso essa fosse a intenção dos responsáveis pela campanha.

Nestas épocas pré-eleitorais restrinjo minha leitura à semanal de minha preferência para não ter que perder tempo com a enxurrada de invenções sem prova que alguns veículos da grande imprensa veiculam. Mas o que consigo perceber é que o desespero de algumas minorias equivocadas está crescendo.

Este país está - a meu ver - realmente começando a mudar. Tenho fé de que seja para melhor.



Escrito por Douglas - dprtextos às 10h55
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Tudo divino, tudo maravilhoso!

Hoje, no intervalo do meu almoço aqui na editora, eu me empenhei em fazer um texto para um trabalho que está com prazo curtíssimo: pra ontem. Depois de mais de uma hora criando o texto, bem complicadinho por conta de detalhes de briefing, fechei o arquivo sem salvar. Até que o programa me perguntou se eu tinha certeza de que queria fechar o arquivo sem salvar alterações. Eu, conversando com o revisor à minha frente, distraidamente fechei. Perdi tudo. Inclusive a paciência. E a fé no mundo.

Eis então que me veio à mente um encontro com uma vizinha hoje pela manhã, no elevador. Ela é cega e mora acima do meu andar. Quando entrei, identifiquei-me e conversamos na viagem de descida. Perguntei-lhe sobre sua recente operação de coluna. E como ela estava.

- Eu estou fantasticamente bem. Pronta pra outra. Que venha o que vier, tá tudo divino e maravilhoso.

Descemos do elevador, ela entregou algumas sacolas ao garagista com instruções: isto é lixo reciclável, esta é lixo normal, esta é uma encomenda que um sr. de tal vem pegar ainda hoje. E dirigiu-se ao taxi que a esperava dentro da garagem com um sonoro "Bom dia e bom trabalho a todos!".

Imediatamente abri arquivo em branco do word e alinhavei de maneira rápida as ideias que havia perdido para recomeçar meu texto. Começar tudo novamente. Por que não?

Descobri que tudo é divino e maravilhoso.



Escrito por Douglas - dprtextos às 19h04
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Edita Edna Oksman z'l

Vez por outra o Todo Poderoso, ao olhar para baixo, decide recolher seus justos. Levar de volta para si aqueles que havia colocado entre nós para tornar a convivência humana mais suportável. Ontem foi a vez de minha querida Morá Edna ascender aos céus, de volta ao Pai. Não só a filha e o neto ela deixou inconsoláveis. Seus amigos, suas tão queridas amigas e companheiras de profissão e, claro, seus alunos - como eu - também. Ela me alfabetizou em hebraico, ela me ensinou cultura judaica e me mostrou, sem precisar viajar, o que foi e o que é o Estado de Israel. Da geração que fugiu do nazismo, ela sabia muito bem o que era dificuldade na vida. Mas sabia muito mais recomeçar a luta mesmo do zero e dar a volta por cima. Inteligente e por vezes cética, deve estar dando palestras concorridas aos anjos sobre como começar de novo. Agora como uma estrela do firmamento. Zichroná levrachá!



Escrito por Douglas - dprtextos às 10h12
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José Mindlin z'l

Eu tive a chance de conhecer, ainda que de vista, o Sr. José Mindlin. Há muitos, muitos anos atrás, quando moleque ainda, no colegial, fui fazer uma ficha na Metal Leve, em Santo Amaro. Tempo em que havia empregos aos borbotões e a Metal Leve tinha fama de ser um bom lugar para se trabalhar. Eu estava esperando na recepção para ser chamado ao Departamento Pessoal quando a telefonista - àquela época, ainda existiam telefonistas polivalentes que trabalhavam nas recepções das empresas - atendeu a um telefonema e o Sr. Mindlin, estando de saída, foi chamado a um telefone que havia por ali para atender ao chamado urgente. Não  prestei atenção à conversa, mas minha amiga, que era funcionária e passara para me ver enquanto eu esperava, me disse: "Este é o nosso big boss!".

Depois, muitos anos mais tarde, em um cabalat shabat na sinagoga que eu frequento, em ocasião triste revi o Sr. Mindlin. Ele vinha rezar o cadish por sua esposa, recém-falecida.

Quanta admiração eu tenho por este homem, que agora vai organizar e enriquecer as bibliotecas celestiais com seu conteúdo intelectual inestimável, ao lado de sua amada Dona Guita.

O mundo perde um mentch. O céu ganha mais um.



Escrito por Douglas - dprtextos às 16h44
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Chuvarada

Anjos, nos céus, sacudiam furiosamente suas vestes de nuvens ao som de uma música frenética.

Enlouquecidas pelo vento, as árvores balançavam os cabelos e agitavam os braços lançando gritos surdos aos céus relampejantes...

O túnel Airton Senna, de boca escancarada, engolia água da chuva, enxurrada, automóveis, motos...

Os córregos começaram conversando; aos poucos foram levantando as vozes até que, tomados de uma pressa louca, se puseram a correr, saltar, unindo-se a outros e formando um pequeno exército roncador e barulhento, que a tudo e a todos carregava.

E Deus se ria de sua obra...



Escrito por Douglas - dprtextos às 15h01
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Macarrão a carbonara provoca chuvas no aniversário de São Paulo!

Já apresentei aqui uma querida amiga minha, que tem aversão a fogão; tanto que quando entra na própria cozinha o tempo lá fora "fecha". Confesso, minha gente, a culpa foi minha de haver chovido na segunda dia 25, em pleno aniversário da cidade: fui a sua casa saborear pastéis de pizza e um de-li-ci-o-so spaguetti a carbonara!



Escrito por Douglas - dprtextos às 16h28
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OI você! Olho VIVO no seu celular!

Ano passado, nos primeiros dias de janeiro, viajei por Minas Gerais. Este ano, na mesma época, também estive em Minas. Nas duas ocasiões meu celular da Vivo não funcionou para receber/fazer chamadas, apesar de ter crédito suficiente. Nas duas ocasiões, só era possível realizar chamadas para números de emergência - polícia, bombeiros, ambulância... Fiz o teste voltando, na estrada. Tão logo entrei em território paulista, ele começou a funcionar normalmente. Será que as concessionárias não "conversam entre si"? Muito inconveniente esse problema. Oxalá em breve essa tecnologia possa nos prestar corretamente os serviços pelos quais pagamos antecipadamente.



Escrito por Douglas - dprtextos às 16h22
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E a Dri fez chover no ano novo!

Uma de minhas melhores amigas, a Dri, é uma cabrocha com um sorriso que ilumina. Bom garfo, bem humorada, viciada em trabalho e em leitura. Mas inimiga figadal de um fogão. Passa longe da cozinha. Exceto da de minha casa, onde se senta na minha companhia e à frente de um bom bloody mary, que adora, para horas e horas de excelente papo. Pois não é que me jurou, dia 31 de dezembro quando lhe telefonei, que pretendia ir para o fogão em pleno Ano Novo? Na hora julguei que fosse efeito de alguma caipirinha de rum ou de algum uísque que tivesse descido quadrado. Mas não. Deve ter ido pra cozinha sim. Choveu no Ano Novo!



Escrito por Douglas - dprtextos às 14h50
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Blindagem à prova d'água

O mês de dezembro anualmente traz chuvaradas todas as tardes. Este ano não será diferente: as chuvas de verão estão desabando sobre todo o sudeste do país. E, como todo ano, as enchentes trazem a desgraça para muitas pessoas. É curioso, entretanto, observar os noticiários na TV, na rádio e na mídia impressa a cada calamidade pluvial. Anos atrás, quando Marta Suplicy era prefeira da cidade de São Paulo, bastava cair uma chuvinha à toa e lá ia uma verdadeira enxurrada de repórteres e fotógrafos bater às suas portas e cobrar-lhe providências contra as enchentes. Há alguns anos não mais se nota qualquer comentário da mídia relacionando chuvas a prefeitos de São Paulo. Neste mês que mal começou e que as enchentes já arrasaram as casas de muita gente e que bairros da cidade permanecem alagados mesmo depois de dias sem chover por conta do descaso na limpeza das vias públicas a mídia tem se manifestado sim. Inclusive no horário nobre noturno. Que eu tenha notado até agora, sem qualquer menção aos representantes municipais. Por que será?



Escrito por Douglas - dprtextos às 17h04
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Geração tela

Elas estão em todo lugar: nas TVs - de casa, do bar, do restaurante, da rua, do consultório, do automóvel - no caixa automático, no monitor do computador, no telefone celular, no relógio digital, no estádio... onde quer que estejamos, lá está uma tela chamando a nossa atenção, fornecendo-nos informação. As telas nos servem. Não podemos viver sem elas. Há, porém, que se contemplar o mundo além delas: a paisagem da janela, os olhos de nossos interlocutores, o movimento da rua, a vida.



Escrito por Douglas - dprtextos às 11h59
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